Friday, March 11, 2005

Respeito e Responsabilidade com as futuras gerações


Uma das diferenças entre nós, os Portugueses, e os países mais desenvolvidos está precisamente na forma de pensar e de actuar! Portugal têm que ser menos “reactivo” e passar a ser mais “pro-activo” e “preventivo”.

Os Portugueses só se sensibilizam no momento em que o problema lhes afecta. Não sei se é falta de visão, covardia, ou simplesmente porque não se incomodam. O que sim sei é que é uma grande falta de saber estar, viver e praticar “Democracia”, onde um não só tem como deve de defender e lutar pelos seus direitos, tanto individuais, como económicos.

Penso que, desde há uns séculos para cá que Portugal não vê mais além que o seu próprio umbigo. Desde o inicio do século XVI, com o Papa a declarar o Rei Filipe I de Espanha Rei de Portugal, se iniciou também a perseguição a todos os que pensavam diferente e a consequente esterilização do pensamento. Desde então os Portugueses nunca mais conseguiram levantar a cabeça e projectar ideias e planos de médio e longo prazo.

Quantas vezes não houve um dizer:

- “Ha! Para que? Se eu já cá não vou estar por essa altura?” - Este tipo de comentários demonstram bem a mentalidade e a irresponsabilidade social de alguns cidadaes e que a meu ver se projecta em quase todas as forças políticas Portuguesas.

Se Portugal, antes do século XVI tivesse seguido este tipo de mentalidade então hoje, não tinha-mos tantas e tantas páginas nos livros de historia de Portugal. Pois o projecto de levar os Portugueses ao mar não foi coisa de quatro ou oito anos; foi um projecto de séculos! Um projecto que demonstrou ao mundo que ser pequeno não é sinónimo de pobre. Que o diga Finlândia, Holanda, Suécia, Luxemburgo e muitos outros.

É esta mentalidade que eu gostaria de ver reposta no circulo político nacional e, em geral em todos os Portugueses. Uma mentalidade que lute pelos interesses nacionais, uma mentalidade que substitua o “clientelismo” e o “chico-espertismo”, que defenda o melhor para a maioria, uma melhor distribuição da riqueza, mais justiça, mais segurança, que tenha um plano de acompanhamento para as companhias Portuguesas, que crie leis de “compensações por mérito” e de “partilha de lucros” similar há de tantos outros países. Que faça nascer a consciência de que “roubar” o estado é roubar-lhe a ele, afinal, este como contribuinte tem pagar mais e mais impostos para que uns poucos possam desfrutar. A justiça tem que funcionar, principalmente naqueles a quem toca a dar o exemplo, caia quem caia!

Os trabalhadores Portugueses não produzem mais porque não estão motivados. Trabalhar mais ou menos horas ou simplesmente fazer mais não lhes traz nenhuma compensação. Em Portugal, com as leis actuais, produzir mais ou menos é, em geral, retribuído da mesma forma.

A realidade é simples e enquanto os nossos governos funcionarem há base da reacção e não tiverem uma politica económica coesa e de futuro, então cada quatro anos teremos ou bem a construção, ou bem a aniquilação total do que até então tenha sido feito, por inveja ou por simples ignorância!

É este nível de irresponsabilidade política e social que se tem que combater. Portugal não pode ficar de braços cruzados há espera que as actuais forças politicas resolvam o problemas, pois estes já demonstraram que não têm capacidade nem ideias alternativas para resolver os assuntos, simplesmente porque ainda estão agarrados a dogmas do passado.

É por estas e muitas outras razões que eu me identifico como um Liberal-Social, simplesmente por saber que não somos todos iguais e que temos que equipar a juventude e os actuais trabalhadores com liberdade, utensílios e mecanismos económicos para que estes dêem alas á sua criatividade, para que se modernizem e para que se adaptem às novas realidades e exigências de mercado. E que, por encima de tudo tenham gosto e orgulho por trabalhar e contribuir para a riqueza do país! Isto só se consegue com o respeito pelo trabalho dos demais e por uma valorização do esforço que se requer para se lograr os possíveis objectivos.

Portugal não são um ou dois, são mais, muitos mais! Mas infelizmente somos também uma voz que se apaga lentamente, que ninguém ouve... ou finge não ouvir!

Por todos aqueles que estão por vir,
Bruno

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